⚖️ quem vai revisar a ia?

e o que a Fenalaw mostrou sobre o futuro

01/11/2026
domingo

o bom dia hoje é com uma dúvida. se a inteligência artificial assume parte das tarefas da advocacia, como o profissional que tá começando vai adquirir experiência para revisar a própria tecnologia? (aliás, e o profissional mais experiente, não perde o jeito se sempre pedir para ia fazer?) essa foi uma das muitas perguntas que mais ouvimos na fenalaw.

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CARREIRA E TECNOLOGIA

Quem forma o advogado que vai revisar a IA?

A inteligência artificial colocou uma questão difícil diante de escritórios e departamentos jurídicos: como formar profissionais experientes quando parte do trabalho de entrada pode ser automatizada?

Créditos da imagem: Reprodução/Lawletter

Cintia Vaz Guimarães, da Vale, chamou atenção para as atividades realizadas por estagiários, advogados juniores e até plenos. Na avaliação dela, essas tarefas estão especialmente expostas à automação, enquanto a revisão das respostas da IA exige justamente conhecimento e capacidade de julgamento.

O problema, portanto, também está no percurso de aprendizagem. Cintia relata discutir o assunto, ainda sem encontrar uma resposta consolidada sobre como preparar as próximas gerações.

Em outra entrevista, Pedro Whitaker de Souza Dias, do Mattos Filho, defendeu que a preparação do usuário receba mais atenção. Para ele, saber trabalhar com a ferramenta, inclusive formular as perguntas, importa mais do que procurar uma solução perfeita.

Para o advogado: Ao mudar um fluxo de trabalho, vale identificar quais atividades ensinavam o profissional e como esse aprendizado será preservado com a automação.

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GESTÃO JURÍDICA

Dados para aproximar o jurídico do negócio

Entender por que um problema se repete pode ser tão relevante quanto preparar a resposta ao processo.

No Bradesco, Júlio César Bueno descreveu uma estrutura com cientistas de dados e profissionais que conhecem inteligência artificial. Segundo o executivo, ela apoia o contencioso de massa, o contencioso técnico e a identificação da origem dos problemas.

Bueno também defendeu um jurídico que conheça a operação da empresa e apresente alternativas acompanhadas de avaliação de riscos. Na visão dele, a negativa precisa vir com uma proposição.

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Na Sabesp, Maria Alicia Lima Peralta relatou um movimento de aproximação dos advogados com o negócio após a privatização, buscando antecipar problemas. Segundo ela, o foco inicial da IA foi aprofundar o diagnóstico, com acesso e análise de dados, e não reduzir custos.

Os relatos ajudam a concretizar a discussão sobre prevenção: compreender o que aconteceu, onde aconteceu e por quê, para orientar a atuação jurídica.

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JUDICIÁRIO

Decisões individuais e transparência no Judiciário

A organização da Justiça também esteve nas entrevistas.

Créditos da imagem: Lawletter/Reprodução

Francisco Rezek, ministro aposentado do STF, defendeu restringir decisões monocráticas a questões repetitivas e já conhecidas pela Corte. Na avaliação dele, assuntos com importância ou repercussão deveriam ser decididos coletivamente, mediante mudanças nas regras de procedimento.

Em outra conversa, Leonardo Sica, presidente da OAB-SP, cobrou clareza sobre onde e para que os tribunais utilizam inteligência artificial. Ele também propôs maior participação de advogados e promotores na gestão administrativa do Judiciário.

Já Oscar Vilhena Vieira, da FGV Direito SP, destacou duas frentes para recuperar a confiança pública: integridade e respostas mais rápidas aos conflitos. São avaliações de entrevistas distintas, com propostas que alcançam a forma de decidir, a administração dos tribunais e a prestação de contas à sociedade.

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APOIADORES DA COBERTURA

O que os apoiadores da cobertura trouxeram à conversa

As sete marcas que apoiaram a presença da Lawletter participaram da cobertura com aplicações, produtos e avaliações sobre o mercado. Reunimos os destaques das entrevistas com seus representantes e usuários.

- doc9 | Transformação dos escritórios e prevenção de fraudes

Klaus Riffel, CEO da doc9, prevê uma aproximação entre escritórios de volume e lawtechs. Para ele, os escritórios precisarão incorporar mais tecnologia, enquanto as empresas de tecnologia ampliarão sua atuação em atividades antes concentradas nas bancas.

Alexandre Stumpf, CTO da empresa, abordou outra questão: a IA pode facilitar a produção de peças fraudulentas e também ser empregada na prevenção. Sua proposta é analisar documentos recebidos em busca de indícios que ajudem a identificar possíveis fraudes.

- DataCertify | Registrar a informação antes que ela desapareça

Jenifer Carina, da DataCertify, destacou a importância de observar origem, autoria e integridade na coleta de informações digitais. O assunto interessa especialmente a quem trabalha com conteúdos que podem ser alterados ou excluídos.

A advogada Tainá Pedrini apresentou um exemplo concreto de uso da plataforma: segundo seu relato, conseguiu registrar um comentário em rede social que foi apagado em seguida e juntar o material ao processo.

- Jusbrasil | Informações sobre as partes dentro da conversa com a IA

Lucas Balbino apresentou o dossiê jurídico do Jus IA, descrito como um recurso que organiza informações sobre pessoas ou empresas em um relatório dentro da conversa. Segundo ele, o usuário pode partir desse material para aprofundar a consulta a processos.

Já Juliana Ruiz tratou da relação com o cliente. Para ela, é importante informar que houve uso de IA, mas o detalhamento deve considerar a tarefa realizada e a exigência do contratante. Sua avaliação não pressupõe um relatório minucioso em todas as situações.

- ZapSign | O advogado na adoção da assinatura eletrônica

Getúlio Santos, fundador e CEO da ZapSign, destacou o papel dos advogados na avaliação de novas tecnologias pelas empresas.

Na leitura dele, o jurídico ajudou a disseminar a assinatura eletrônica ao examinar a validade e a utilização da ferramenta em operações como vendas e contratação de funcionários.

A entrevista apresentou uma aplicação do trabalho jurídico que acompanha a mudança dos processos empresariais: entender a operação e orientar a adoção da tecnologia.

- Projuris | Contratos, automação e prevenção de demandas

Fernando Ribeiro explicou uma aplicação dos dados na gestão: acompanhar o crescimento de processos por região e identificar as causas mais frequentes das novas demandas. Na avaliação dele, cruzar essas informações com a operação ajuda o departamento jurídico a atuar preventivamente.

Sidney Falcão apresentou o Assistente Projuris e a reformulação do Projuris Contratos, com recursos de inteligência artificial e automação, segundo a descrição da empresa. O uso proposto é apoiar decisões com informação organizada, sem transformar estimativas em certeza sobre o resultado de uma ação.

Lilian Barajas descreveu uma abordagem que começa pelo diagnóstico das dificuldades do cliente e pela compreensão de como o escritório ou departamento jurídico trabalha.

Assim, governança de dados, indicadores e acompanhamento da mudança cultural sustentam essa organização. A executiva apresentou agentes de conversação e de ação desenvolvidos com parceiros.

O recorte traz uma pergunta útil para a escolha de ferramentas: qual processo precisa melhorar e quais informações estão disponíveis para isso?

- nowpro.ai | Organização de informações e gestão dos casos

Lucivaldo Figueira e Leandro Mattos apresentaram soluções da nowpro.ai para diferentes etapas da operação jurídica, incluindo o Synapses, voltado ao trabalho com processos volumosos, e o JudCase, que reúne gestão de casos, informações financeiras, movimentações e intimações.

Em outra entrevista, Mattos avaliou que a IA deve assumir mais atividades de compilação de dados e estruturação de informações. Na visão dele, o trabalho do advogado será alterado, com maior importância para o raciocínio e análise.

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PARA QUEM TEM APENAS 1 MINUTO ⌛

Express do dia, hoje para assistir ☕

⚖️ Litigância de massa não se confunde com litigância abusiva. Vanessa Mateus, da AMB, diferenciou demandas decorrentes de violações de direitos de ações sem conflito real. Ela defendeu o diálogo entre magistratura e advocacia para enfrentar práticas abusivas sem confundir o problema com o volume de processos. 🔗 Assista à entrevista.

📖 Reforma do Código Civil também admite críticas. Flávio Tartuce, que foi relator-geral da comissão de juristas responsável pelo anteprojeto, defendeu o debate sobre a reforma e afirmou que ele próprio não concorda com todas as propostas. Sua expectativa é reduzir controvérsias e ampliar a segurança jurídica. 🔗 Assista à entrevista.

👩‍⚖️ Promoção profissional precisa de políticas concretas. Daniela Magalhães destacou o apoio à maternidade e o Selo Promove Mulheres Advogadas. Segundo ela, a iniciativa reconhece escritórios que adotam boas práticas e investem em transparência na evolução profissional das mulheres. 🔗 Assista à entrevista.

🤝 Atendimento também faz parte do serviço jurídico. Katsuren Machado, da KM Legal Experience, avaliou que a qualidade técnica precisa vir acompanhada de uma boa experiência do cliente. Na visão dela, o atendimento é comparado também com serviços de outros mercados e influencia a decisão de voltar ao escritório. 🔗 Assista à entrevista.

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Para levar à próxima reunião

As entrevistas deixaram perguntas que podem orientar uma conversa com a equipe:

Formação: quais tarefas ensinam os profissionais mais novos e como preservar esse aprendizado?

Gestão: os dados mostram apenas quantos processos existem ou também ajudam a entender suas causas?

Tecnologia: quem confere o resultado e como o cliente recebe informações sobre o uso de IA?

Negócio: o jurídico conhece a operação e as finanças que sustentam suas recomendações?

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A feira terminou. A conversa continua.

Obrigado a quem acompanhou, participou das entrevistas e encontrou a Lawletter em São Paulo. Nosso agradecimento também aos apoiadores que estiveram conosco nesta cobertura.

As conversas continuam disponíveis para quem quer aprofundar um tema, conhecer uma aplicação ou compartilhar o debate com a equipe.

Até a próxima edição,
Equipe Lawletter