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🤝 por que o cliente troca de escritório
e o que pode fazê-lo ficar
26/09/2026
sábado
Nesta semana, descobri que… um trabalho tecnicamente bem-feito pode conviver com uma experiência ruim para quem o contratou. O parecer chega, mas precisa ser traduzido para a diretoria. A dúvida é resolvida, mas só depois de várias cobranças. O processo anda, mas o cliente continua sem saber o que esperar. Hoje vamos olhar para esse outro lado da advocacia: o que acontece entre uma entrega e outra e pesa na decisão de continuar com um escritório.


ESPECIAL LAWLETTER · EXPERIÊNCIA DO CLIENTE
Por que o cliente vai embora e o que pode fazê-lo ficar

Créditos da imagem: Magnific
Quem contrata um escritório precisa de uma resposta jurídica. Também precisa entender os próximos passos, encontrar quem possa ajudá-lo e receber informações que consiga usar. Essas interações formam a experiência do cliente, conhecida pela sigla CX, de Customer Experience.
O Legal Customer Experience Report 2025 ouviu mais de 250 líderes de escritórios e departamentos jurídicos de empresas. Sob coordenação de Katsuren Machado e subcoordenação de Danielle Serafino, o estudo reuniu formulários anônimos e entrevistas. Entre os escritórios participantes, apenas 11% tinham uma estratégia formal de experiência do cliente.
Para aprofundar os resultados, a Lawletter conversou com Katsuren em 24 de setembro. Os dados e os temas dessa entrevista orientam o guia a seguir, com situações que ajudam a olhar para a rotina do escritório.
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Experiência do cliente: é o conjunto de percepções construídas ao longo da relação com o prestador de serviço. No escritório, inclui contratação, comunicação, entregas, cobrança e acompanhamento.
Sobre os dados: a pesquisa é de 2025 e examina a relação entre escritórios e departamentos jurídicos empresariais. Os percentuais se referem aos participantes do estudo.
RETENÇÃO
Um bom trabalho jurídico pode não ser suficiente para manter o cliente
O dado que mais chama a atenção é este: 91% dos departamentos jurídicos participantes já trocaram de escritório por insatisfação com a experiência. Do total de departamentos participantes, 49% relataram alguma troca nos 12 meses anteriores à coleta, e 42% em período anterior. Os outros 9% nunca haviam trocado por esse motivo.

Fonte: Legal Customer Experience Report 2025, p.47. Respostas dos departamentos jurídicos participantes. Os 12 meses indicados no gráfico se referem ao período anterior à coleta.
O número ajuda a dimensionar o problema, mas não significa que os escritórios perderam 91% de seus clientes. Ele registra departamentos que, em algum momento, decidiram substituir algum prestador por essa razão.
A qualidade técnica continua central. O próprio relatório aponta o entendimento do negócio e a qualificação da equipe entre os fatores valorizados na contratação. O ponto é perceber o que acompanha essa entrega: atrasos, informação difícil de usar, cobrança incorreta ou falta de clareza sobre quem responde pelo atendimento.
Uma relação pode se desgastar aos poucos. Por isso, olhar apenas para o resultado de um processo ou para o cumprimento de uma tarefa deixa parte importante da experiência fora da avaliação.

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ESCUTA E RELACIONAMENTO
Os pequenos atritos que desgastam uma grande relação
Um parecer extenso pode estar correto e, ainda assim, exigir horas de trabalho do departamento jurídico para ser apresentado à diretoria. Uma fatura com erro pode obrigar o cliente a explicar novamente o que já havia combinado. A troca de responsável por um projeto pode provocar insegurança quando acontece sem aviso.
Essas situações, discutidas na entrevista, mostram por que vale acompanhar a relação além da execução técnica. Para quem atende, cada episódio pode parecer pontual. Para quem contrata, os episódios fazem parte da mesma experiência.
O diagnóstico começa pela escuta. No relatório, somente 16% dos escritórios coletam feedback de forma estruturada e regular. Outros 34% o fazem esporadicamente; 40% ainda não coletam, mas planejam fazê-lo; e 10% não planejam coletar. | ![]() Fonte: Legal Customer Experience Report 2025, p.23. Práticas de coleta de feedback declaradas pelos escritórios participantes. |
Ouvir também exige criar espaço para uma resposta desconfortável. Quando houver estrutura para isso, alguém além do sócio responsável pelo atendimento pode facilitar a conversa. E a escuta precisa ter continuidade: entender o problema, decidir o que pode mudar e comunicar a providência ao cliente.
🧑💼 Para o advogado: pergunte o que facilita e o que dificulta trabalhar com seu escritório. Depois, procure exemplos concretos. Uma resposta sobre documentos, cobrança ou comunicação costuma oferecer mais direção do que um “está tudo bem”.
COMUNICAÇÃO E PRIMEIROS PASSOS
Proximidade não exige um plantão de 24 horas
![]() Fonte: Legal Customer Experience Report 2025, p.30. Recomendações para organizar a entrada de novos clientes. | O cliente quer saber quando terá retorno, por qual canal pode falar e quem acompanha sua demanda. Quando essas combinações ficam implícitas, escritório e contratante podem trabalhar com expectativas muito diferentes sobre a mesma relação. É aí que entra o onboarding: a organização dos primeiros passos depois da contratação. O relatório identifica pouca padronização nessa etapa, com práticas que dependem mais do profissional responsável do que de um processo compartilhado pela equipe. |
Uma boa recepção precisa deixar claros cinco pontos:
Quem atende: responsável principal e contato de apoio.
Por onde falar: canal adequado para dúvidas, documentos e solicitações.
Quando haverá resposta: prazo de retorno combinado para cada tipo de demanda.
Quando haverá atualização: frequência dos informes, inclusive nos períodos sem novidade relevante.
Como lidar com urgências: situações que exigem tratamento diferente e caminho para acioná-lo.
Isso dá previsibilidade sem prometer disponibilidade permanente. Também ajuda a preservar o atendimento quando alguém sai de férias ou outra pessoa assume o trabalho. Como na comparação com restaurantes Michelin feita na entrevista, o desafio é sustentar um padrão de qualidade entre equipes e momentos diferentes.
📌 Para você guardar: prazo de resposta do escritório e prazo de decisão judicial são coisas distintas. Explicar essa diferença desde o início evita expectativas sobre resultados e datas que o advogado não controla.
VALOR E PERSONALIZAÇÃO
A personalização pesa na disposição de pagar mais
Três em cada quatro departamentos jurídicos participantes afirmaram que aceitariam pagar mais por uma experiência realmente personalizada. É uma disposição declarada, que ajuda a compreender o valor atribuído ao atendimento. O levantamento não mede um aumento efetivo de honorários.

Fonte: Legal Customer Experience Report 2025, p.45. O trecho se refere à disposição dos departamentos jurídicos participantes de pagar mais por uma experiência personalizada.
Personalizar começa por entender como o cliente trabalha e para que precisa daquela informação. Quem apresenta uma decisão à diretoria pode necessitar de uma síntese dos riscos e das alternativas. Quem acompanha muitas demandas pode valorizar uma visão consolidada de prazos, responsáveis e próximos passos.
Um exemplo: junto do parecer fundamentado, o escritório pode oferecer um resumo executivo com o problema, as opções e as consequências de cada caminho. A profundidade jurídica permanece; a entrega ganha uma forma que facilita seu uso. A tecnologia entra para apoiar essa necessidade. Um painel atualizado pode facilitar o acompanhamento. Um repositório organizado pode reduzir a busca por documentos. A escolha começa pela dificuldade que precisa ser resolvida e pelas preferências do cliente. | ![]() Créditos da imagem: Magnific |
Antes de investir numa nova ferramenta, vale perguntar: que trabalho essa mudança vai poupar a quem nos contratou?
INDICADORES
Uma nota de satisfação não conta a história inteira
Receber uma nota ajuda a acompanhar a percepção do cliente. Para decidir o que melhorar, porém, é preciso entender o motivo daquela avaliação e o momento da relação a que ela se refere.
A entrevista destaca três indicadores que podem se complementar:

Quadro editorial baseado no relatório e na entrevista. As siglas correspondem a Net Promoter Score, Customer Satisfaction Score e Customer Effort Score.
Esses indicadores respondem a perguntas diferentes. Um problema pode ter sido resolvido, mas exigido vários contatos e reenvios de documentos. A conclusão da tarefa, sozinha, não mostra esse esforço.
Por isso, a nota deve vir acompanhada de espaço para explicação. Depois, cabe observar padrões, definir prioridades e informar o que foi feito com o retorno recebido. Também vale acompanhar permanência, novas contratações e indicações, mantendo a distinção entre experiência e resultados do negócio.
O objetivo é transformar uma avaliação em uma decisão de gestão que possa ser acompanhada ao longo do tempo.
RECUPERAÇÃO DA CONFIANÇA
O que fazer quando a confiança é abalada
Mesmo uma rotina bem organizada pode falhar. Quando isso acontece, o cliente precisa entender o impacto, saber quem assumiu a solução e ter uma previsão realista do próximo retorno.
As recomendações discutidas na entrevista podem ser organizadas em cinco movimentos:
Reconhecer o problema. Explicar o que aconteceu, com clareza sobre a responsabilidade do escritório.
Definir quem conduz a solução. Designar uma pessoa com autonomia para decidir e acompanhar o caso.
Apresentar os impactos. Distinguir o que já se sabe do que ainda está sendo apurado.
Combinar providências e prazos. Informar o que será feito e quando haverá nova atualização.
Acompanhar até a conclusão. Confirmar a correção e registrar o ajuste necessário para evitar a repetição.
Numa falha de cobrança, por exemplo, isso envolve conferir a divergência, corrigir o documento e manter o cliente informado sobre a regularização. Transferi-lo sucessivamente entre pessoas pode acrescentar dificuldade ao problema original.
A forma de responder a uma falha oferece uma oportunidade de demonstrar cuidado e responsabilidade. A recuperação da confiança, porém, depende da gravidade do ocorrido, das consequências e da solução possível. Não há garantia de que uma boa resposta apagará o desgaste.
PARA COLOCAR EM PRÁTICA
O que seu escritório pode começar a mudar em 30 dias
Um escritório pequeno pode começar com conversas, acordos claros e uma rotina de revisão. A recomendação central da entrevista é ouvir clientes, organizar sua chegada e se antecipar às dúvidas recorrentes.
A partir dessas orientações e dos primeiros passos indicados no relatório, organizamos um roteiro de quatro semanas. Ele serve como ponto de partida e deve ser ajustado ao porte e à realidade do escritório.

Organização editorial da Lawletter com base na entrevista e nas recomendações do estudo. A distribuição em quatro semanas não é um cronograma da pesquisa.
Escolha alguém para acompanhar o plano e reserve tempo para executá-lo. Os primeiros 30 dias podem servir para construir uma base de trabalho; avaliar efeitos sobre a permanência dos clientes exige acompanhamento por mais tempo.
PARA APROFUNDAR

Veja o relatório completo no site das pesquisadoras
O estudo reúne outros resultados sobre contratação, comunicação, tecnologia e fidelização. Para consultar o material completo, acesse o site do Legal Customer Experience Report e faça seu cadastro.
Pesquisa: coordenação geral de Katsuren Machado e subcoordenação de Danielle Serafino. Entrevista à Lawletter conduzida por Cibelle Ferreira em 24/09/2026. Gráficos e recortes reproduzidos do Legal Customer Experience Report 2025.

⚖️ Leve uma pergunta para segunda-feira. Escolha um cliente e procure saber o que tornaria mais fácil trabalhar com seu escritório. Ouça antes de explicar como a equipe costuma fazer as coisas.
📚 Escolha um ponto da relação para observar. Pode ser o primeiro atendimento, o envio de documentos ou a cobrança. Acompanhe o caminho que o cliente precisa percorrer e veja onde ele encontra dificuldade.
☕ Deixe espaço para o descanso. A próxima melhoria pode começar na segunda. O sábado também merece uma conversa sem pauta, uma caminhada ou um café sem pressa.

🌙 Boa leitura e bom descanso.
Bom fim de semana. A gente se encontra na próxima edição.




