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⏰ o stf decide se investiga moraes

e o carf anulou uma cobrança de r$ 3,8 bilhões por erro de conta

15/09/2026
terça-feira

bom dia. hoje o país inteiro vai olhar para uma sala em brasília às 10h, e a gente entende a curiosidade. tem clima de jogo decisivo: transmissão ao vivo, escalação anunciada na véspera, gente que nunca abriu um código de processo penal querendo saber o que é relatório e o que é voto. e isso é bom. quando o direito vira assunto de mesa de bar, é sinal de que a sociedade quer entender as regras do jogo, não só o placar. você já tem a vantagem de conhecer as regras. hoje é dia de assistir com atenção e explicar para quem está do lado.

NA PAUTA DE HOJE…

🏛️ Às 10h, o STF decide se investiga Moraes: o rito, quem fala e o que mudou na véspera

💰 O erro de cálculo que fez o CARF cancelar R$ 3,8 bilhões

🗳️ MPE aciona a PF por vídeo em que patrão anuncia demissão de funcionária por apoio a partido

 💼 Quem está em aviso-prévio ainda é empregado, e pode aderir ao PDV, decide TST

⚖️ TRE-AL barra candidato condenado por lesão corporal contra mulher e amplia a leitura da Ficha Limpa

💡 Você sabe de um caso que merece mais repercussão? Conte-nos mais sobre enviando um e-mail para [email protected]

Quer impulsionar sua marca? Apareça na Lawletter

🎓 QUER ENTRAR NA AGU? COMECE PELO EVENTO

De 22 a 24 de setembro, às 19h30, o advogado-geral da União, Jorge Messias, o procurador Renério Castro e o presidente da UNAUNI, Niomar de Sousa, discutem o novo exame, o concurso e a rotina de quem passou. Garanta sua vaga:

DIREITO CONSTITUCIONAL

Às 10h, o STF decide se investiga Moraes: o rito, quem fala e o que mudou na véspera

Créditos da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A sessão extraordinária que analisa o relatório da Polícia Federal sobre as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master começa às 10h, com transmissão ao vivo. O rito foi definido por Fachin, relator da Petição 16.662 desde sábado: leitura da ata, chamada do processo, leitura do relatório pelo ministro André Mendonça, manifestação da PGR e votação. Toffoli está impedido, e a Corte não confirmou se Moraes participará.

O Plenário não julga o caso Master. Decide se um ministro pode ser investigado a partir de um relatório cuja origem a própria PGR considera nula; a Procuradoria pede a extinção da petição, e Gilmar Mendes registrou que não há pedido definido a julgar.

O impasse do celular ficou para trás na segunda. Depois de Mendonça sustentar que o acesso ao material bruto geraria "tumulto", a PF entregou cópias idênticas da extração a Zanin, Gilmar e Moraes, com a cadeia de custódia preservada. Zanin havia argumentado que as provas pertencem ao Plenário, "e não a um integrante específico" da Corte. No mesmo dia, a pedido de Fachin, Mendonça retirou o sigilo do processo sobre a rede de pagamentos do ex-banqueiro.

📺 E para você não ficar de fora

A Lawletter acompanha a sessão ao vivo, com análises dos principais pontos jurídicos e os impactos da decisão para o Direito brasileiro.

DIREITO TRIBUTÁRIO

O erro de cálculo que fez o CARF cancelar R$ 3,8 bilhões

Créditos da imagem: Magnific

O CARF anulou integralmente uma cobrança de cerca de R$ 3,8 bilhões de IRPJ e CSLL contra a JBS, referente a 2019, por erros na apuração da Receita: balanço do ano errado para uma controlada, participações arredondadas pela planilha, câmbio de datas incorretas e um crédito presumido de 9% ignorado (art. 87, § 10, da Lei 12.973/2014). A DRJ reconheceu tudo, mas propôs refazer a conta e manter parte da cobrança.

O CARF, por unanimidade, não aceitou. Erros desse tipo atingem a essência do lançamento (art. 142 do CTN) e são vício material, não formal. O órgão ainda vetou a "auditoria substitutiva" no meio do processo: obrigar o contribuinte a se defender de uma base de cálculo que muda fere o direito de defesa. Acórdão 1402-007.793.

A etiqueta vale bilhões. Em entrevista exclusiva à Lawletter, André Chaves, ex-conselheiro do CARF, explica: anulado por vício formal, o auto pode ser refeito em cinco anos contados da anulação (art. 173, II, do CTN); por vício material, o prazo corre do fato gerador. Sendo 2019, ele já venceu, e o Fisco não cobra de novo. Segundo Chaves, o CARF já chegou a julgar embargos só para definir de qual vício se tratava.

🧑‍💼 Para o advogado tributarista: todas as teses e provas de defesa precisam estar na impugnação inaugural, porque não entram depois; o recurso voluntário ao CARF tem de atacar as razões da DRJ, não repetir a impugnação; e impugnar suspende a exigibilidade do crédito até o fim do processo.

DIREITO ELEITORAL

MPE aciona a PF por vídeo em que patrão anuncia demissão de funcionária por apoio a partido

Um influenciador publicou um vídeo em que pergunta às funcionárias quem paga o salário delas, diz que não quer apoiadoras de determinado partido no local e, ao associar uma delas à legenda, anuncia a demissão. O Ministério Público Eleitoral em Alagoas pediu à Polícia Federal que investigue.

Créditos da imagem: Poder360

A relação de emprego é o lugar onde a pressão sobre o voto mais funciona, e a lei sabe disso. O art. 301 do Código Eleitoral pune com até quatro anos de reclusão quem usa violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou não votar em candidato ou partido, ainda que não consiga. Para o MPE, poder econômico e condição de empregador não podem servir para isso, e dizer que era brincadeira não impede a apuração. O voto é secreto, e ninguém precisa contar ao patrão em quem vota.

Além da PF, o órgão quer levar o caso à Justiça Eleitoral para evitar repetição. E há a esfera trabalhista: em 2022, tribunais do trabalho condenaram empresas por assédio eleitoral, como a que prometeu folga se um candidato vencesse e a que dispensou vendedora por não revelar sua posição política. Tudo segue em investigação.

📚 DicioLaw

"Assédio eleitoral": pressão no ambiente de trabalho para direcionar o voto do empregado, por ameaça, promessa de vantagem ou constrangimento. Não é tipo penal próprio: conforme o caso, é coação eleitoral (art. 301 do Código Eleitoral) e gera dano moral na Justiça do Trabalho, por violar a liberdade de consciência e o voto secreto.

💙 Encontro de leitores

Nós esperamos o ano todo para construir este momento... 🥹

No dia 15 de outubro, em São Paulo, vamos realizar o primeiro encontro presencial de leitores da Lawletter.

Serão apenas 80 pessoas, reunidas das 9h às 17h, para conversar sobre reputação, credibilidade, autoridade e construção de boas relações no Direito (sem precisar de banqueiro ou esposa de ministro para ajudar rsrs).

A ideia é que seja um encontro próximo, especial e com muita troca, além da participação de 4 convidados especiais.

Antes de abrir as vagas, queremos entender quem teria interesse real em estar com a gente nesse dia.

Criamos um formulário bem rápido, leva menos de 2 minutos.

Se você gostaria de participar desse primeiro encontro, preenche aqui pra gente 💙

APRESENTADO POR LÍDERHUB

AULA GRATUITA: Como advogados fecham contratos mesmo de fora do país.

Mesmo morando no exterior, Alexandre Ferreira, o advogado trabalhista mais seguido do Brasil, consegue fechar contratos no automático. E hoje ele vai mostrar como isso acontece na prática, dando detalhes dos bastidores da sua operação. 

Em uma aula exclusiva, Alexandre vai abrir o fluxo do seu comercial e mostrar como estrutura o processo para vender à distância. Sem atendimento humano e rodando 24h por dia.

DIREITO DO TRABALHO

Quem está em aviso-prévio ainda é empregado, e pode aderir ao PDV, decide TST

Créditos da imagem: Reprodução TST

Uma industriária foi dispensada sem justa causa em agosto de 2021, com aviso-prévio indenizado e baixa na carteira em 14 de outubro. Entre 8 e 29 de outubro, a montadora abriu um Plano de Demissão Voluntária com incentivo de 12 salários e seis meses de vale-alimentação. Ela pediu para aderir; a empresa negou, dizendo que o contrato já tinha acabado. A 6ª Turma do TST, por unanimidade, deu razão à trabalhadora.

A dúvida é velha conhecida: o aviso-prévio indenizado ainda é contrato? É. O período projeta o vínculo para todos os efeitos legais, e a data de saída na carteira é a do fim do aviso. Quando o PDV abriu, ela ainda era empregada. Para o relator, ministro Augusto César, o entendimento consolidado do TST admite a adesão a PDV durante o aviso, inclusive indenizado, e não se pode restringir direitos facultativos do trabalhador nessa fase.

Na prática, ela recebe as vantagens do programa, e a decisão vira referência para quem for dispensado dias antes de a empresa lançar um plano.

📌 Para você guardar: o aviso-prévio indenizado projeta o contrato (art. 487, § 1º, da CLT), e a data de saída anotada na carteira é a do fim do aviso (OJ 82 da SDI-1). Reajuste, PDV e outras vantagens surgidas nesse intervalo alcançam quem está cumprindo o aviso, mesmo sem trabalhar.

DIREITO ELEITORAL

TRE-AL barra candidato condenado por lesão corporal contra mulher e amplia a leitura da Ficha Limpa

Créditos da imagem: Reprodução/Redes sociais/Migalhas

Por maioria, o TRE de Alagoas indeferiu o registro da candidatura a deputado federal de um advogado condenado por lesão corporal contra mulher em razão da condição do sexo feminino (art. 129, § 13, do Código Penal). A pena foi mantida pela Câmara Criminal do TJ-AL e ainda tem recursos nos tribunais superiores, sem efeito suspensivo.

A lesão corporal não está na lista da Ficha Limpa, e aí mora a controvérsia. A alínea e da LC 64/1990 torna inelegível o condenado por colegiado por crimes contra a vida e a dignidade sexual, entre outros. Prevaleceu o voto da desembargadora Natália França Von Sohsten: a inelegibilidade se afere pelo bem jurídico protegido, e a Lei 14.994/2024, ao remeter o § 13 ao feminicídio, pôs a lesão contra a mulher no mesmo eixo de proteção contra a violência de gênero. O relator, desembargador Ney Costa Alcântara de Oliveira, ficou vencido com outros dois votos: para ele, equiparar lesão a crime contra a vida alarga um rol taxativo, o que só o legislador pode fazer.

Cabe recurso ao TSE. Se a tese for confirmada lá, o alcance da Ficha Limpa muda para casos de violência doméstica em todo o país.

PARA QUEM TEM APENAS 1 MINUTO ⌛

Express do dia ☕ 

🍽️ A gorjeta do garçom pode mudar o imposto do restaurante. O STJ vai decidir, em repetitivo, se o valor repassado aos funcionários entra no cálculo do Simples Nacional (Tema 1.473, rel. Regina Helena Costa); todos os recursos sobre o tema ficam suspensos até lá.

📨 Citação a 70 km não justifica carta precatória. Para a 2ª Seção do STJ, a Justiça Federal só pede ajuda ao juízo estadual com decisão motivada, por distância, custo ou falta de oficiais; em comarca vizinha, o oficial federal vai sozinho (CC 217.892, rel. Isabel Gallotti).

📱 "Não é CLT", diz o presidente do TST sobre motoristas e entregadores. Vieira de Mello Filho defendeu uma lei própria para plataformas, porque hoje a Justiça do Trabalho só tem duas saídas, autonomia ou vínculo, e a resposta cabe ao Congresso.

🎓 Antes das 10h, cinco questões..

Tenor

📩 Por hoje é isso.

Amanhã, às 6h, a gente conta o que o Plenário decidiu e traz o Diário Oficial da Lawletter.