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🤖 e se o eleitor do vídeo for falso?

Toda semana, daqui até o fim do ciclo eleitoral: a disputa nacional, o que dizem os especialistas em Direito Eleitoral e o que se move nos estados. No estilo que você já conhece e acompanha.
Destaques da edição:
📊 A pesquisa que abriu a temporada terminou em empate apertado
⚖️ O TSE ainda não decidiu o que fazer com deepfake, e o prazo aperta
🤖 Eleitores que não existem estão declarando voto no TikTok

📊 A primeira pesquisa da campanha saiu, e ela está apertada
Se você abriu o celular na segunda e viu meio mundo comentando pesquisa, é por aqui. O BTG Pactual/Nexus divulgou a primeira rodada depois do início oficial da campanha, e o retrato é de empate técnico nos dois cenários que importam.
No primeiro turno estimulado, Lula (PT) aparece com 41% e Flávio Bolsonaro (PL) com 37%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, essa diferença de quatro pontos está no limite: tecnicamente, é empate. Na rodada anterior, Lula tinha os mesmos 41% e Flávio, 36%, ou seja, a distância caiu de cinco para quatro pontos. | ![]() |
Na espontânea, quando nenhum nome é lido para o entrevistado, os números caem para 38% e 31%.
No segundo turno, a coisa aperta ainda mais. Lula tem 46% e Flávio, 45%, um ponto de diferença. Na rodada passada eram três pontos, com 47% a 44%. Brancos e nulos somam 8%.

Um detalhe que muda a leitura: há um segundo cenário testado, com Pablo Marçal (PRTB) na disputa. Nele, Lula vai a 40%, Flávio cai para 34% e Marçal fica com 4%. Ou seja, a presença ou não de Marçal na urna não é detalhe de bastidor, mexe no desenho do primeiro turno. E, como você vai ler mais abaixo, essa presença ainda está sendo decidida na Justiça.
Quem não aparece no gráfico acima ficou com 0%. Brancos e nulos somam 5%, e 3% não souberam responder.
Como ler esse dado sem cair em armadilha: a pesquisa ouviu 2.006 eleitores por telefone entre 21 e 23 de agosto, nas 27 unidades da Federação, com nível de confiança de 95%. Está registrada no TSE sob o número BR-09028/2026.

📊 E os que foram ao debate?

Créditos da imagem: Renato Pizzutto/Divulgação/Band
Aqui vai uma ironia: no primeiro debate presidencial, promovido pela Band no domingo (23), os dois nomes mais citados foram justamente os dois que não apareceram. Levantamento do Congresso em Foco contou 73 menções nominais, sendo 44 a Lula e 29 a Flávio. Metade delas se concentrou em cerca de seis minutos da última rodada de confronto direto. Estiveram no estúdio Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Romeu Zema (Novo) também não foi. Foi a estreia de debates com menos participantes desde 1989.

As cadeiras vazias já viraram projeto de lei. Na segunda (24), um dia depois do debate, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) protocolou o PL 5.147/2026, que altera o artigo 46 da Lei das Eleições para tornar obrigatória a presença em debates de rádio e TV nas candidaturas majoritárias de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso, desde que convidadas com 72 horas de antecedência.
![]() Créditos da imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Quem faltar sem justificativa perderia 15% do tempo de propaganda gratuita e 15% dos valores do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário a cada ausência. A emissora teria de comunicar a falta à Justiça Eleitoral. Entenda a proposta. |
Você acha que os candidatos deveriam ser obrigados a ir aos debates? |
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⚖️ O TSE ainda não decidiu o que fazer com deepfake, e o prazo está acabando
Esta é a pauta que mais interessa a quem acompanha Direito Eleitoral nesta semana. A propaganda começou, o horário gratuito de rádio e TV estreia na sexta (28), e o Tribunal Superior Eleitoral ainda não fixou entendimento colegiado sobre o alcance da vedação ao uso de deepfake em campanha.
O quadro é o seguinte. As regras existem: o artigo 9º-B da Resolução nº 23.610/2019, com a redação dada pela Resolução nº 23.755/2026, exige identificação explícita de conteúdo sintético e proíbe o uso de deepfake para prejudicar ou favorecer candidatura. O que está em disputa é a aplicação, ou seja, onde exatamente fica a fronteira entre sátira, crítica dura e conteúdo manipulado.

Créditos da imagem: Antonio Augusto/TSE
Na semana passada, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu com pedido de vista os julgamentos sobre o tema, o que interrompe a discussão por até 30 dias. Segundo apuração da Carta Capital, ele passou a consultar os colegas para construir uma proposta de consenso, depois de ficar vencido em plenário virtual em ações que envolviam uso de deepfake. A publicação relata ainda que parte dos ministros defende proibição expressa, seja para favorecer, seja para prejudicar candidatura, e que a divergência também aparece no Supremo. Essas são leituras atribuídas a fontes internas pela reportagem, não decisões públicas do tribunal.
O caso que deve servir de baliza envolve a reprodução de um vídeo produzido com deepfake durante convenção partidária. A expectativa relatada é de que o tema seja pautado antes do início da propaganda gratuita.
Por que isso importa para quem trabalha com isso: enquanto não há tese colegiada, cada representação depende do juízo auxiliar que a receber, e as campanhas ficam sem parâmetro estável para calibrar o que pode ir ao ar. Para o eleitor, significa que peças parecidas podem receber tratamentos diferentes até o Plenário se pronunciar.

🤖 Eleitores que não existem estão declarando voto no TikTok
Uma reportagem do Aos Fatos, republicada pela Agência Pública na segunda (24), identificou pelo menos 50 vídeos no TikTok que simulam entrevistas de rua, o formato "povo fala", com uma diferença: nem o repórter nem o eleitor são reais. Todos foram gerados por inteligência artificial e declaram voto em Lula ou em Flávio Bolsonaro, somando 7,4 milhões de visualizações. | ![]() |
Em 18% deles não havia sequer indicação de que as pessoas eram sintéticas, e parte do material recorre a estereótipos para atacar eleitores. O TikTok removeu os conteúdos enviados pela reportagem.
O ponto jurídico é mais interessante do que parece. A Resolução nº 23.610/2019 não proíbe apenas a deepfake clássica, aquela que coloca palavras na boca de quem existe. A vedação alcança conteúdo sintético que crie ou manipule imagem e voz de pessoas vivas, falecidas ou fictícias. Simular um eleitor que não existe e atribuir a ele uma declaração de voto, como resumiu um dos especialistas ouvidos, é fabricar um fato social que nunca aconteceu.
E o rótulo não salva. Avisar que o vídeo foi feito com IA cumpre o dever de transparência de um uso permitido, mas não torna lícito o que a norma proíbe de forma autônoma.
A parte difícil é responsabilizar. Sem vínculo comprovado com a campanha, a resposta tende a parar na remoção do conteúdo e na responsabilização de quem publicou. Com prova de contratação, financiamento ou orientação, o caso pode ser analisado como uso indevido dos meios de comunicação ou abuso de poder, com sanções que chegam à cassação de registro ou diploma.

🌳 Norte | A campanha começou e o eleitor não notou
Trackings das campanhas indicam que a primeira semana de propaganda não mexeu nas disputas pelo governo e pelo Senado no Amazonas. Omar Aziz (PSD) segue na liderança, com a segunda vaga em aberto. O teste real vem com o horário gratuito, na sexta. Veja o retrato completo.
🌴 Nordeste | Um partido, dois candidatos ao governo da Bahia
O TRE-BA extinguiu, sem julgar o mérito, a ação que dava a José Estêvão o comando do Democracia Cristã, e Ariel Capistrano retoma a legenda. Para a desembargadora Patrícia Didier de Morais Pereira, quem dirige o partido se decide no registro de candidatura e no Drap. Estêvão recorre ao TSE. Acompanhe a disputa interna.
🌾 Centro-Oeste | A Rota Bioceânica aparece em 6 dos 8 planos de governo em MS
Seis dos oito candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul citam a Rota Bioceânica nos planos protocolados na Justiça Eleitoral. Ficaram de fora Daniel Lemes (PCO) e Jeferson Bezerra (Agir). O plano de governo é peça obrigatória do registro e de consulta pública, o que o torna o documento mais fácil de cobrar depois. Veja o que cada plano propõe.
🏙️ Sudeste | Onde termina a crítica e começa a acusação
O TRE-SP mandou Guilherme Derrite (PP) tirar do ar um vídeo que acusa Fernando Haddad (PT) de ter comprado droga com dinheiro público na prefeitura de São Paulo. Para o juiz auxiliar Ronnie Herbert Barros Soares, em exame preliminar, a afirmação sai da crítica política e vira imputação de fato determinado. É liminar e cabe recurso. Acompanhe a repercussão do caso.
❄️ Sul | Enchente é o tema que organiza a eleição gaúcha
Um terço do eleitorado do Rio Grande do Sul aponta a enchente como o principal problema do estado, e as quatro candidaturas mais bem posicionadas tratam do tema nos planos de governo, da gestão preditiva de riscos às obras de contenção. A cheia de 2024 atingiu 2,4 milhões de pessoas. Compare as propostas lado a lado.

🤔 Mas afinal, o Marçal vai poder concorrer ou não?

Resposta curta: por enquanto sim, mas a semana foi ruim para ele.
Na quinta (20), o TSE vetou por unanimidade o acesso dele aos fundos eleitoral e partidário e a participação em rádio, TV e debates. É medida cautelar, até a Corte julgar se ele pode ser candidato. Na sexta (21), o TRE-SP negou seus recursos e manteve a inelegibilidade até 2032 e a multa de R$ 420 mil pela campanha de 2024 em São Paulo.
O nó é este: inelegibilidade declarada em um processo não é o mesmo que registro indeferido em outro. Enquanto o TSE não julgar o registro, ele segue formalmente na disputa, ainda que sem fundo, sem TV e sem debate. É por isso que o nome dele aparece em um dos cenários da pesquisa lá em cima.


🗳️ Entre os presidenciáveis que pontuaram na última pesquisa BTG/Nexus, qual está mais alinhado com o Brasil que você quer construir? |
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Lista em ordem alfabética, limitada a quem registrou ao menos 1% no cenário principal de primeiro turno. Ela não representa o total de candidaturas registradas.
A partir da próxima edição, a Newsletter Eleições vai só para quem se inscrever na lista específica, toda semana, até o fim do ciclo eleitoral.

✉️ Antes de fechar
Esta é a edição-piloto, e ela existe para ser corrigida. Queremos saber o que você quer ver aqui nas próximas semanas: o que faltou, o que sobrou, o que ficou confuso.



