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🤔 dá pra condenar sem testemunha?
e a tese que deveria estar em toda petição
15/07/2026
quarta-feira
bom dia. inteligência artificial já escreve sentença, já inventa precedente e já foi absolvida na corregedoria. a máquina aprendeu rápido, inclusive a parte de não assumir a culpa.

NA PAUTA DE HOJE…
⚖️ Juiz aplica Protocolo de Raça do CNJ e condena por ofensa racista sem testemunha
📄 Dino dá 30 dias e manda PF ampliar investigação sobre emendas
🏥 Justiça de SP reconhece "falso coletivo" e anula reajustes de plano com três beneficiários
💰 Evidence Previdência perde e é obrigada a manter plano com juros de 6% ao ano
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DIREITO ANTIDISCRIMINATÓRIO
"Quanto mais a advocacia pedir o Protocolo de Raça, mais o Judiciário vai aplicá-lo", diz advogada à Lawletter

Créditos da imagem: CNJ
O Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, do CNJ, costuma ser lembrado só no momento da sentença. Para a advogada Rayane Proença, ouvida pela Lawletter, esse é o erro. A ferramenta precisa entrar na estratégia da defesa desde o início, e cabe à própria advocacia provocar o Judiciário a usá-la. Presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Sorocaba e especializada em processos com perspectiva de raça, ela conduziu o caso de Boituva (SP) em que um homem negro foi indenizado por ofensa racista mesmo sem testemunha na audiência nem áudio das ofensas.
Rayane explica que valorizar a palavra da vítima não significa aceitá-la automaticamente, e sim examiná-la à luz das assimetrias de poder e das dificuldades concretas de produzir prova em casos de discriminação. Foi assim que um vídeo sem som e as contradições do réu em depoimento sustentaram a condenação. "Se ele negou coisas que estavam comprovadas nas imagens, a negativa sobre as ofensas racistas também precisava ser analisada dentro desse contexto", resume.
O ponto que ela faz questão de reforçar é que o Protocolo (Resolução 598/2024, de observância cogente pelo art. 927, V, do CPC) não se restringe ao criminal e vale em ações cíveis, trabalhistas, empresariais e de família. E o profissional que souber utilizá-lo, se destaca.
📌 Para o advogado: o Protocolo de Raça é uma tese à disposição de quem atua em qualquer área, não só criminal. Pedir expressamente sua aplicação insere no processo o contexto histórico e social que uma leitura formal ignoraria, e influencia desde a valoração da prova até a fixação do dano. Dominar essa ferramenta virou diferencial de atuação, especialmente quando faltam prova direta ou testemunha neutra

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A Corregedoria-Geral do TJ-SP arquivou a reclamação disciplinar movida pela OAB contra um juiz que usou inteligência artificial para redigir uma sentença. Segundo o órgão, não existem jurisprudências anteriores sobre o fenômeno, conhecido como “alucinação da IA”. A relatora do caso, desembargadora Silvia Rocha, reconheceu que houve um "erro indesejável", mas afastou qualquer indício de dolo ou má-fé por parte do magistrado. |
Em sua interpretação, o equívoco não comprometeu a análise dos fatos ou o resultado final do julgamento.
Essa situação reforça um debate em curso no Judiciário: como lidar com erros gerados por ferramentas de IA em um momento de adaptação tecnológica dos tribunais, sem tratar toda falha como má conduta.

DIREITO CONSTITUCIONAL / EMENDAS
Dino dá 30 dias e manda PF ampliar investigação sobre emendas
![]() Crédito da imagem: Fellipe Sampaio/STF | O ministro Flávio Dino, do STF, deu 30 dias para que órgãos e autoridades expliquem a destinação e o funcionamento de emendas parlamentares, e criticou o que chamou de mercado de terceirização ou privatização de emendas, incompatível com o propósito constitucional. |
Pediu manifestações do Ministério da Saúde, do Conass, do Conasems e das Comissões de Saúde do Senado e da Câmara. Dino também determinou que a Polícia Federal amplie as investigações, após relatórios da CGU e do Denasus apontarem indícios de direcionamento de licitações, sobrepreço e falhas de transparência na aplicação dos recursos. A auditoria da CGU sobre emendas Pix entre 2020 e 2024 analisou 15 municípios e encontrou irregularidades na maioria dos que executaram os recursos. A decisão integra a Operação Transparência, a mesma que na semana passada bloqueou bens de Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha. Para o ministro, as emendas não são patrimônio privado dos parlamentares. A decisão é monocrática.

DIREITO DO CONSUMIDOR
Justiça de SP reconhece "falso coletivo" e anula reajustes de plano com três beneficiários
A 16ª Vara Cível de São Paulo reconheceu que um plano de saúde contratado como coletivo empresarial, mas com apenas três beneficiários de uma mesma família, é um "falso coletivo" e deve seguir as regras de reajuste dos planos individuais. A sentença anulou os reajustes por sinistralidade e por variação de custos médicos, mandou aplicar os índices anuais da ANS e determinou a devolução dos valores pagos a mais. A ré é a Amil.
Para o juiz Felipe Poyares Miranda, o formato empresarial servia para escapar das regras mais rígidas dos planos individuais sem que houvesse uma população de beneficiários que justificasse o tratamento coletivo. | ![]() |
O ponto central foi o ônus da prova: a operadora não demonstrou o aumento real de custos que justificaria os reajustes. O juiz também proibiu a rescisão unilateral do contrato, ressalvadas fraude ou inadimplência superior a 60 dias. A restituição é simples, não em dobro, por não haver má-fé reconhecida. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.
📚 DicioLaw
"Falso Coletivo": plano de saúde contratado na forma de coletivo empresarial ou por adesão, mas que na prática reúne pouquíssimas pessoas, muitas vezes de uma mesma família. A Justiça reconhece que essa roupagem serve para fugir dos limites de reajuste dos planos individuais, e manda aplicar as regras mais protetivas da ANS, como se individual fosse.

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ARTIGOS LAWLETTER
🔍 As principais análises do dia:
📄 Mitigação de danos e prevenção de passivos: como academias devem atuar frente à responsabilidade civil. A relação entre academia e aluno é regida pelo Código de Defesa do Consumidor, o que sujeita o estabelecimento à responsabilidade objetiva do art. 14: havendo defeito do serviço, dano e nexo causal, o dever de indenizar independe de culpa. Com a inversão do ônus da prova, cabe à academia demonstrar que agiu com diligência, e é a documentação da prevenção, e não apenas o cuidado de fato, que a protege em juízo. Leia na íntegra
📄 O ex-cônjuge do viciado em bets: dívidas que sobrevivem ao divórcio e a investigação defensiva como vetor de proteção à meação. Decisão recente do STJ impõe ao ex-cônjuge o ônus de provar que dívidas do parceiro alimentaram o vício em apostas; investigação defensiva surge como ferramenta essencial para blindar a meação. Leia na íntegra
✍️ O que você sabe pode virar leitura para milhares de advogados. Publique com a gente.

O Grupo Dolly passou a ser alvo de pedido de falência formulado pela PGFN e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, em razão de débitos tributários bilionários. O pedido não significa decretação imediata da falência, mas instaura procedimento judicial para apuração dos requisitos legais. O caso reforça a importância da gestão de passivos tributários, da governança e do monitoramento permanente da saúde financeira da empresa.
A 2ª Vara Empresarial do Rio deferiu o processamento da recuperação judicial da SAF Botafogo, em caso marcado por passivo bilionário e pela adoção de cash pooling no grupo Eagle Football. A discussão evidencia os riscos da centralização internacional de caixa entre empresas sujeitas a regimes jurídicos distintos, sobretudo quando não há garantias efetivas de retorno dos recursos. O caso também chama atenção para a interação ainda instável entre recuperação judicial, Lei das SAFs e compliance esportivo internacional.
O mercado de criptoativos no Brasil seguiu em forte expansão, enquanto regulação e jurisprudência passaram a exigir das plataformas padrões cada vez mais rigorosos de segurança e governança. O STJ já distinguiu hipóteses em que a fraude ocorre fora do ambiente da plataforma e casos em que a exchange responde objetivamente por falhas internas de controle. Para a advocacia empresarial, documentação, autenticação reforçada, logs e governança digital tornaram-se elementos centrais de prevenção de risco e defesa.

DIREITO DO CONSUMIDOR / PREVIDÊNCIA PRIVADA
Evidence Previdência perde e é obrigada a manter plano com juros de 6% ao ano

A 5ª Vara Cível de Jundiaí (SP) julgou improcedente a ação em que a Evidence Previdência, do grupo Santander, pedia para repactuar ou encerrar um plano de previdência privada do tipo FGB, contratado por um consumidor em 1997. A juíza Bruna Carrafa Bessa Levis entendeu que a queda dos juros, o aumento da expectativa de vida e as novas exigências da Susep são riscos próprios da atividade e não autorizam a operadora a rever o contrato.
A empresa alegava que o cenário econômico tornou o plano excessivamente oneroso e invocava a teoria da imprevisão para trocar a taxa de juros e o indexador. A juíza aplicou o Código de Defesa do Consumidor (Súmula 563 do STJ) e tratou a variação de juros e a inflação como fortuito interno, risco que cabe à fornecedora suportar, lembrando o histórico de volatilidade econômica do Brasil. Ao acolher em parte a reconvenção do participante, a decisão ainda mandou a Evidence manter o plano ativo nas condições originais, com rentabilidade de IGP-M mais 6% ao ano, e permitir novos aportes. A sentença é de primeira instância e cabe recurso.

PARA QUEM TEM APENAS 1 MINUTO ⌛
Express do dia ☕
⛓️ STJ, repetitivo admite retroatividade do Pacote Anticrime na execução penal. A Terceira Seção fixou, no Tema 1.354, que é possível aplicar percentuais distintos de progressão de regime para cada condenação em uma mesma execução, conforme a lei mais favorável. Tese vinculante, rel. min. Maria Marluce Caldas.🔗 Leia completo.
🩺 STJ mantém prisão de falso médico que usava registro de sócio morto. O ministro Salomão negou liminar em habeas corpus e manteve a preventiva de um homem preso por atuar como médico em Cananéia (SP) com o CRM de um sócio falecido. A fraude veio à tona quando ele disse ter visto a vesícula de uma paciente que já havia retirado o órgão. Decisão monocrática.🔗 Leia completo.
⚖️ STJ, omissão sobre dolo afasta improbidade se só o réu recorre. A 1ª Turma absolveu um ex-prefeito: como a condenação foi por improbidade culposa (modalidade extinta pela nova LIA) e só a defesa recorreu, reanalisar se houve dolo pioraria a situação do réu, o que é vedado (reformatio in pejus). Rel. min. Sérgio Kukina.🔗 Leia completo.

🧠 Será que você aprendeu alguma coisa hoje?

Crédito da imagem: Giphy
Da perspectiva racial na prova ao "falso coletivo" dos planos de saúde, a edição de hoje passou por temas que caem em prova e aparecem no escritório. Quatro questões para ver o que ficou.

📩 Boa quarta-feira por aí!
Nos vemos amanhã, no horário de sempre.





